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  • A saúde cardiovascular pode influenciar quando a menopausa acontece?

    A saúde cardiovascular pode influenciar quando a menopausa acontece?

    A interpretação tradicional da relação entre menopausa e risco cardiovascular considera a redução dos níveis de estrogênio como um fator causal para o aumento do risco cardiovascular.

    Um estudo realizado com mulheres do Framingham Heart Study acompanhou fatores como colesterol, pressão arterial, peso e tabagismo ainda durante o período pré-menopausa. E encontrou algo interessante: mulheres que apresentavam uma piora progressiva de alguns desses fatores tendiam a entrar na menopausa mais cedo

    Dessa forma, um perfil cardiometabólico desfavorável prévio, possivelmente possa influenciar em uma menopausa mais precoce.

    O que mostrou o estudo ?

    Entre as fumantes, por exemplo, a menopausa ocorreu em média 1,6 ano antes. Entre as mulheres cujo colesterol aumentava progressivamente, cada elevação de 20 mg/dL no colesterol total esteve associada a uma menopausa cerca de 2,6 anos mais precoce.

    A pressão arterial também chamou atenção. Entre as mulheres que apresentavam elevação progressiva da pressão antes da menopausa, cada aumento de 10 mmHg na pressão sistólica esteve associado a uma menopausa aproximadamente 3,5 anos mais cedo. Para a pressão diastólica, a associação foi ainda maior, chegando a cerca de 7 anos de antecipação para cada aumento de 10 mmHg nesse subgrupo

    E há um aspecto especialmente interessante: mulheres que mantiveram alguns desses fatores em trajetória mais favorável também tenderam a apresentar menopausa mais tarde.

    O que pode explicar essa relação ?

    Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é que a saúde dos vasos sanguíneos também possa influenciar o envelhecimento dos ovários. Como a aterosclerose é um processo que afeta todo o organismo, alterações vasculares poderiam, em teoria, comprometer progressivamente a circulação ovariana.

    Mas essa provavelmente não é a única explicação. Colesterol, pressão arterial, tabagismo, peso e resistência à insulina também estão relacionados a alterações metabólicas e hormonais que podem participar desse processo.

    O que isso muda na prática ?

    Talvez a principal mensagem seja que a menopausa não deve ser vista isoladamente da saúde cardiovascular da mulher

    Pressão arterial, colesterol, diabetes, peso e tabagismo merecem atenção muito antes da menopausa.

    A relação parece ser de mão dupla: uma pior saúde cardiovascular pode estar associada a uma menopausa mais precoce, enquanto a própria transição para a menopausa é acompanhada por mudanças que podem tornar o perfil cardiovascular menos favorável tornando o acompanhamento com cardiologista fundamental em qualquer etapa da vida da mulher

    Referência

    Kok HS, et al. J Am Coll Cardiol. 2006;47(10):1976-1983.

    Honigberg MC, et al. JAMA. 2019;322(24):2411-2421

    Benedetto C, et al. Int J Gynaecol Obstet. 2026. doi:10.1002/ijgo.71356.

  • Mais um aliado na luta contra obesidade ?

    Mais um aliado na luta contra obesidade ?

    A luta contra a obesidade segue ganhando novos aliados — e um dos mais recentes é a survodutida, medicamento que vem sendo estudado para o tratamento da obesidade.

    Hoje, medicamentos como semaglutida, tirzepatida e retatrutida representam diferentes gerações dessa nova classe de terapias. Embora frequentemente sejam agrupados como “agonistas de GLP-1”, eles não são iguais: cada molécula atua em combinações diferentes de hormônios envolvidos no controle do apetite, da glicose e do metabolismo.

    A obesidade é uma doença crônica e complexa, e justamente por isso cresce o interesse pelos chamados poliagonistas metabólicos — medicamentos capazes de atuar simultaneamente em mais de uma via hormonal.

    O GLP-1 é um hormônio produzido naturalmente pelo nosso organismo, principalmente no intestino, e liberado após as refeições. Entre seus principais efeitos estão:

    🧠 Cérebro: aumenta a saciedade e reduz a fome
    🫃 Estômago: diminui a velocidade do esvaziamento gástrico
    🩸 Pâncreas: aumenta a liberação de insulina quando a glicose está elevada e reduz a produção de glucagon em situações de hiperglicemia
    ➡️ Resultado: menor ingestão alimentar e melhora do controle da glicose.

    E onde entra a survodutida?

    Recentemente, resultados do estudo SYNCHRONIZE-2, publicados no New England Journal of Medicine (NEJM), mostraram perda de peso próxima de 10% com a dose semanal máxima de 6 mg.

    A survodutida tem uma característica interessante: atua tanto no receptor de GLP-1 quanto no receptor de glucagon. Enquanto o GLP-1 contribui principalmente para redução do apetite e maior saciedade, a ação sobre o glucagon pode aumentar o gasto energético e também apresentar efeitos favoráveis sobre o acúmulo de gordura no fígado.

    Os resultados são promissores, mas ainda precisamos de mais estudos para compreender melhor seus benefícios, segurança e quais pacientes poderão se beneficiar mais dessa estratégia.

    Referências

    Survodutide Once Weekly in Adults with Obesity and Type 2 Diabetes. New England Journal of Medicine. 2026. DOI: 10.1056/NEJMoa2607219